quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O caos nosso de cada dia



Matéria do site http://oglobo.globo.com/rio/bairros

Não é tarefa fácil devolver o Rio à legalidade. A desordem generalizada tem como pano de fundo os políticos clientelistas, os empresários corruptores e servidores despreparados e corruptos, os governantes omissos, o judiciário engessado e principalmente a população indisciplinada e individualista. Um verdadeiro salve-se quem puder.

Em Botafogo onde moro, a Rua Arnaldo Quintela e adjacências é um exemplo típico. Lojas e "igrejas" pentecostais funcionam livremente sem alvarás, calçadas são ocupadas por carros e mesas de bares, oficinas mecânicas consertam motores no meio da rua, um trânsito que não obedece as sinalizações, lixo despejado em qualquer lugar, iluminação precária, uma rede de esgoto que no período de chuvas regurgita fezes e uma guarda municipal ineficaz. O caos total!

Num terreno de vila com cerca de 100 metros quadrados, na casa 06 do nº 45, funciona um "canil" clandestino que mantém, neuroticamente confinados cerca de, pasmem, 60 cães e gatos, latindo uivando,
gemendo, defecando, urinando, exalando um fedor insuportável transformando a vida dos vizinhos num verdadeiro inferno.

O terreno que tem uma precária edificação está completamente irregular nos assentamentos públicos municipais. Há meses a vizinhança prejudicada tenta junto as delegacias policiais do bairro e de meio ambiente, para que sejam realizadas diligências coibindo a ilegalidade. No âmbito municipal (Vigilância Sanitária e a Secretária de Meio Ambiente) o descaso é acintoso. Nada, absolutamente nada acontece. Todos rigorosamente todos se omitem, alegando a falta de condições para fazer valer o poder de autoridade. É animador constatar que o atual prefeito inicia o mandato reprimindo a desordem urbana. Afinal, ao cobrar impostos, a prefeitura é ágil e implacável. Ao retribuí-los em forma de bons serviços públicos; revela-se omissa, lenta e autoritária. Invertem-se os papéis: aqueles que pagam impostos e cumprem a lei são reféns daqueles que, na ilegalidade, impõem suas regras transformando o cidadão e a urbanidade em personagens secundárias. Só o tempo mostrará até quando esta acertada política sobreviverá.

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